5 Coisas que o Feminismo NÃO É


Mil perdões por não estar postando com frequência, mas um turbilhão fez moradia em minha mente, tive alguns problemas pessoais, estava em época de provas e entrega de relatórios (FUI PÉSSIMA) e acabei decidindo não fazer a segunda faculdade que tinha acabado de me matricular porque eu sequer conseguia acordar para tentar me dirigir a ela. lmfao


De qualquer forma, tentei responder alguns comentários atrasados e vou visitar todos os blogs lindos das pessoas que costumam comentar aqui assim que este post for publicado, porque estou morrendo de saudade de vocês.

Anyway, como hoje é Dia Nacional da Mulher e ninguém liga, resolvi fazer uma lista referente a um assunto bem pertinente à data: feminismo.


Por muitos anos, me mantive longe do feminismo por acreditar que o mesmo se tratava de ódio aos homens disfarçado e também por uma péssima experiência que tive ao ver uma pessoa importante para mim receber desprezo de uma falsa feminista por gostar de ficar em casa e cuidar dos filhos.

Com o passar do tempo e conversando com as pessoas certas, aprendi o que realmente o movimento busca e também me instruí acerca do que ele não busca e esta, talvez, seja uma das partes mais importantes para os recém-chegados ao maravilhoso mundo female friendly não ficarem... Confusos.

5 Coisas que o Feminismo NÃO É

1. Ódio aos homens

Esse erro se dá em razão da própria palavra que, para muitos, soa como equivalente ao machismo, mas está longe de ser isso. O feminismo não prega ódio contra pessoas do sexo masculino ou qualquer coisa parecida, mas sim a igualdade entre os gêneros.

Por vivermos em uma sociedade machista onde a maioria das mulheres também o é sem perceber, é difícil enxergar as injustiças que sofremos no dia a dia e acabamos por normalizar e engolir tudo.

Quando o feminismo tenta abrir nossos olhos dizendo que boa parte dos comportamentos que aprendemos, repetimos e ensinamos são errados, se torna incômodo para algumas pessoas, principalmente para aqueles que sentem que estão perdendo suas “regalias”, que acabam por acreditar que são odiados por quem luta por seus direitos.

Existem, sim, mulheres que odeiam homens – assim como existem homens que odeiam mulheres –, mas isso não é feminismo. O termo correto para designar desprezo, preconceito ou ódio direcionado a pessoas do sexo masculino é “misandria” ou “femismo”.

2. Benéfico apenas as mulheres

Certa vez, tive o desprazer de encontrar pela internet da vida um ser humano que disse não apoiar o feminismo porque não era algo benéfico para ele. Esse aí não deve sequer levantar para um idoso sentar no ônibus...

Mas, ao contrário do que a escória pensa, o feminismo não traz vantagens somente para as mulheres, mas também aos homens que são vítimas do machismo mesmo sem perceber.

Nós tentamos ignorar, mas vários garotos são vítimas de abuso sexual e a maioria fica calada por extrema vergonha de ser visto como o “viadinho”, fraco, que não soube cuidar de si, etc. Se o abusador for do sexo feminino, é ainda pior, visto que, caso ele revele, as chances de ter sua orientação sexual questionada são enormes (não que alguém tenha algo a ver com isso, mas não é assim que a banda toca, infelizmente).

Saindo da pior das hipóteses, recentemente, meu amigo perguntou qual era o problema em ter produtos voltados para homens. Ele falava sobre um aplicativo de Game of Thrones voltado para homens que não estava sendo bem visto pelas feministas. Uma amiga fez um pergunta pertinente: “quer dizer que eu, que sou fã, não vou poder olhar, mas o outro, que nem gosta, pode só porque é homem?”.

Com o andar da conversa, ele foi desconstruindo seus conceitos em relação a isso, percebendo que ter certo produto voltado para um sexo inviabiliza parcialmente a obtenção do mesmo pelo sexo oposto e até confessou que gostava de W.I.T.C.H., mas não podia comprar porque era “coisa de menininha”. Em pleno século XXI.

3. Anti-Deus / Anticristianismo / Anti-religião

O feminismo não é contra a fé em si, mas sim contra a opressão sofrida por várias mulheres em razão de certos dogmas e crenças machistas de algumas religiões perpetuados através dos anos.

Eu sou bem religiosa e isso não me impede nem um pouco de ser feminista. O movimento me permite usar a roupa que eu quiser para expressar minha religião sem me preocupar com o que irão pensar ao ver “uma pessoa tão jovem vestida assim”, afinal, o corpo é meu e a roupa também.

Mesmo com a maioria dos cristãos sendo muito machista, não me sinto intimidada e faço o possível para que os demais abram seus olhos e vejam como as mulheres foram tratadas no nosso meio durante séculos.

É claro que é inegável a existência de falsas feministas que acreditam que qualquer mulher religiosa está sendo oprimida, mas ainda lhes falta conhecimento sobre aquilo que alegam ser (no caso, defensoras dos direitos das mulheres). Também existem aquelas que não professam qualquer religião ou acreditam no sobrenatural, mas isso não está diretamente ligado ao fato de serem feministas.

4. Para andar nua
Quem dera, Marte...
Quem não entende o Não Mereço Ser Estuprada e a Marcha das Vadias pode pensar que os protestos são apenas desculpas para mostrar o corpo ou que o intuito principal é banir as roupas do corpo feminino, mas não é por aí.

O Não Mereço Ser Estuprada tem o intuito de conscientizar a população de que, independentemente de roupas, horário, sexualidade, vida sexual ou qualquer outro fator, nenhuma mulher deve ser desrespeitada e ter seu direito de escolha ignorado.

A Marcha das Vadias foi criada com praticamente o mesmo objetivo, visto que o barril de pólvora para o protesto acontecer foi uma declaração extremamente desnecessária de um policial após várias mulheres terem sofrido abuso sexual na Universidade de Toronto, em que ele dizia que elas deviam evitar se vestir como vadias para não se tornarem vítimas.

Ambos os movimentos visam exterminar a vitimização do agressor e a errônea ideia de que a mulher tem alguma parcela de culpa ao sofrer qualquer tipo de violência sexual.

Como os argumentos mais comuns da sociedade é que a mulher “estava pedindo por isso”, “mereceu” ou “era uma vadia”, a melhor forma que muitas feministas encontraram de chocar essas pessoas foi tirar a blusa e perguntar na cara dura: “e aí? Só por um pedaço de pano a menos, eu tô merecendo ser estuprada?”.

5. Um Movimento Desnecessário

Diante de tudo já dito, se eu me fiz entender, creio que é difícil pensar que o feminismo é desnecessário, mas, caso ainda tenham dúvidas de que o machismo é real e ainda muito presente na nossa sociedade, saiba que, até os dias de hoje, homens na mesma faixa etária e com mesmo grau de instrução que as mulheres costumam receber, no mínimo, 17% a mais. Dependendo da área, esse número pode subir para 40%.

A mulher ainda sofre com a jornada dupla, tendo que trabalhar fora e dentro de casa, pois muitos acreditam – ainda que não percebam – que afazeres domésticos e criação dos filhos são obrigações exclusivamente femininas. Mesmo homens que tentam ensinar seus filhos a trabalhar em casa costumam dizer “vamos ajudar a mamãe”, porque, aparentemente, aquilo é dever dela, não da família como um todo.

Também é impossível não mencionar o simples fato de uma mulher andar na rua: é quase missão impossível encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma obscenidade, um “psiu”, sido perseguida durante alguns metros ou recebido olhares que deixariam qualquer um desconfortável por simplesmente estar indo trabalhar ou estudar.

Minha irmã tem quinze anos e deixou de ir para a academia porque não conseguia passar pela mesma rua todos os dias ouvindo homens fazendo comentários indesejados sobre seu corpo. Como muitas, ela se culpou e passou a usar roupas mais frouxas, mas nada mudou e ela desistiu.

Logo, não dá para dizer que o machismo não existe, que as mulheres já têm todos os direitos que deveriam ter e que não são vistas como objeto.

★ BÔNUS ★
Não é humanismo

Pessoas que acreditam que o feminismo é o mesmo que machismo, porém voltado aos homens, costumam dizer que “não são feministas nem machistas, mas humanistas”... Gente?

Humanismo é um movimento FILOSÓFICO que, apesar de valorizar as capacidades humanas, não tem exatamente o mesmo foco que o feminismo e, em muitas vertentes, se contrapõe ao sobrenatural e não pode ser usado como sinônimo para as lutas por direitos iguais.


Quis falar de uma forma bem crua e simples, sem me ater muito a diversos termos comuns no universo feminista (como “cultura do estupro”, que exigiriam mais explicação), por terem sido coisas que aprendi logo no início e que me ajudaram a perceber que sou feminista.

Para encerrar, deixo um vídeo legendado de uma das poucas girlgroups famosas que prega o girl power na Coreia, o 2NE1:



Até a próxima!
 
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